Correção de Cicatrizes

É um procedimento cujo objetivo é proporcionar ao paciente uma cicatriz de melhor aspecto do que aquela que lhe fez procurar o Cirurgião Plástico. Existem cicatrizes inestéticas causadas por alterações próprias ao paciente, como por exemplo, os quelóides, comuns na raça negra e que são o resultado de um distúrbio do processo cicatricial. Uso de medicações, alterações nutricionais e tabagismo são outras situações que envolvem condições próprias como responsáveis pela qualidade desagradável da cicatriz obtida. Cada paciente possui uma resposta particular do ponto de vista cicatricial no que diz respeito a um dano à pele, seja ele cirúrgico ou por trauma.

Uma cicatriz dita de boa qualidade é aquela com coloração o mais próxima possível da pele normal, se mantenha na mesma altura da pele adjacente e cuja largura não permita facilmente a visualização do afastamento de ambos os bordos da ferida. Existem muitas variantes deste padrão e certamente a localização da cicatriz é fator primordial para que o paciente se sinta incomodado ou não pela presença da mesma. Locais como região retroauricular, prega inguinal, sulco submamário, etc, são topografias que podem albergar cicatrizes de qualidade questionável, porém, sua menor exposição permite que o paciente tolere sua presença, sem queixas. A insatisfação quanto a uma cicatriz pode ser motivo de reclusão do convívio social, bem como, fator de restrição ao contato afetivo e físico.

O paciente deve ficar ciente de que todo o procedimento cirúrgico gera cicatrizes, maiores ou menores, dependendo do porte da cirurgia, sua localização, técnica cirúrgica, estado nutricional prévio, cuidado pós-operatório e abstinência a drogas e substâncias como cigarro, corticosteróides, etc.

O que se busca no sentido de melhorar uma cicatriz é adequá-la o mais próximo o possível do referido padrão de resultado final. Todo paciente deve saber que ao se submeter a tal procedimento existe o risco de que o ganho estético seja nulo ou inferior ao esperado. Não se pode prometer resolução e sim atenuação do aspecto de uma cicatriz. Além do mais cicatrizes NÃO desaparecem. Podem se tornar adequadas o bastante para que pareçam inexistentes, mas sempre estarão lá.

Distúrbios da cicatrização como os quelóides (distúrbios da cicatrização permanentes, elevados, não respeitam os limites da cicatriz, pigmentação alterada) e as cicatrizes hipertróficas (podem ter resolução espontânea, elevados, respeitam os limites da cicatriz, podem apresentar alteração da pigmentação) apresentam particularidades no seu tratamento. As cicatrizes hipertróficas podem ser inicialmente abordadas mediante compressão da área. A não resolução implica na instituição de outras terapêuticas. Pode-se optar pela aplicação tópica ou infiltração de corticosteróides. Se ainda assim não obtivermos resultados, opta-se pela ressecção da cicatriz associada à realização de sessões de betaterapia (fração da radioterapia específica para tais distúrbios). No caso dos quelóides, geralmente, esta forma de abordagem acaba sendo a de escolha e com os melhores resultados observados na literatura.

Existem vária formas de abordagens cirúrgicas de uma cicatriz. Geralmente realiza-se a retirada da mesma associada à reaproximação de seus bordos. Pode-se optar pela realização de zetaplastias (incisões de relaxamento com o objetivo de aliviar a tensão na área da cicatriz mediante reorganização dos tecidos vizinhos ? incisões em ?Z?). Podem-se confeccionar retalhos (fragmentos de tecidos com suprimento sanguíneo próprio) que sejam dispostos na área da cicatriz, bem como, enxertos de pele de outras áreas. Em casos mais extremos pode-se lançar mão de expansores teciduais (bolsas que permitem a infiltração de líquidos e que são colocadas sob a pele sadia da vizinhança para aumentar seu volume). Após a expansão esperada, o dispositivo é removido e a área expandida é usada para recobrir a área acometida.