Cirurgia Reparadora

É toda e qualquer cirurgia realizada com o objetivo de restaurar forma e função de estruturas previamente distorcidas (seja por malformações congênitas, trauma, câncer, doenças crônicas e ou agudas debilitantes como diabetes, hábitos nocivos como tabagismo, etc). É difícil separar estética de reparação, uma vez que, na Cirurgia Reparadora procura-se alcançar o resultado mais esteticamente aceito o possível, e na Cirurgia Estética o conceito de reparação de forma e função também é primordial. A rinoplastia é um grande exemplo deste fato, onde se busca o “belo” aliado a uma boa função respiratória.

Esta divisão além de função didática e de classificação, norteia algumas diretrizes sócio-econômicas importantes. A quase totalidade dos planos de saúde no Brasil não custeiam cirurgias cujo objetivo maior seja puramente estético. O Estado, por sua vez, permite a realização de procedimentos qualificados como puramente estéticos somente em instituições de ensino de Pós-Graduação em Cirurgia Plástica. Ainda assim, há o compromisso de que o número de cirurgias estéticas seja de no máximo 15%, onde os demais 85% devam ser de cirurgias reparadoras.

São exemplos de cirurgias reparadoras: reconstrução de mama pós-câncer, tratamento de pacientes queimados, ressecção e reconstrução de áreas acometidas por cânceres de pele, tratamento de pacientes com fissura lábio-palatal, reconstruções em geral pós acidentes de trânsito, de trabalho, etc.

São procedimentos gratificantes para quem faz e consegue ver beleza naquilo que é funcional. É confortante para aqueles pacientes que enxergam na possibilidade de estarem vivos o grande presente de Deus e na reparação um incentivo a mais para viverem com dignidade. Mas é frustrante o bastante para aqueles pacientes que esperam da reparação a oportunidade de terem de volta exatamente o que lhes foi tolhido. Cabe ao cirurgião plástico desmitificar a especialidade como sem limites ou como ?milagrosa?. O paciente em questão deve ser confortado, convidado a participar ativamente do processo, incentivado, porém alertado que função, melhoria de qualidade de vida e beleza nem sempre andam juntos. Limites técnicos, do indivíduo acometido e de sua patologia são situações determinantes dos resultados a serem obtidos.